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25/09/2008 22:48
Vale a pena ler
Achei a entrevista que fiz com Lourenço Diaféria em outubro de 2003 para o jornal O Gavião. Uma aula de corinthianismo. Lá de cima, os operários do Bom Retiro certamente fazem festa na sua chegada:
Clique aqui para ler no site da Gaviões.
Ou leia abaixo:
O Gavião - Muita coisa tê surpreendeu na história do Corinthians?
Lourenço Diaféria - Quando comecei a escrever o livro, cheguei a algumas conclusões que já supunha que existissem. Mas eu acabei me convencendo. Por exemplo: eu entendo que o Corinthians é o maior clube do Brasil. Não porque eu acho. O Flamengo não é maior que o Corinthians. O Flamengo começou na época em que só havia uma emissora nacional, que era a Rádio Nacional. Então só se falava no Flamengo, já que era a rádio Nacional do Rio que comandava a rádio no país. Esse negócio de torcida é influência da rádio. Eu entendo hoje que o Corinthians, pelas suas origens, seu projeto e uma série de características, é o maior clube do Brasil.
O Gavião - O livro conta que o Corinthians foi fundado sob a luz do lampião. Isso é uma lenda ou realmente é verdade?
Diaféria - É verdade. Aí você vai às raízes do Corinthians. O Corinthians começou sem emissora, sem rádio, inclusive sem placa. Os fundadores não tinham sede. Se reuniam no Bom Retiro, na rua. Quando falo que nasceu à luz do lampião, pode parecer romantismo. Mas é que não tinha sede.
O Gavião - E isso o ajudou a ser um clube popular?
Diaféria - Acho que não. É que o Corinthians é uma manifestação das mais autênticas, senão a mais. Esse é o ponto. Não é um clube popular. É o clube popular. Porque ele nasceu com o povo. Na história do Corinthians até o roupeiro tem importância.
O Gavião - O livro diz que antes de Corinthians, outros dois nomes foram sugeridos: Santos Dumont e Carlos Gomes. Procede isso? O Corinthians quase se chamou Santos Dumont?
Diaféria - Sim. Ninguém se lembrava em dar o nome Corinthians. É um nome estrangeiro. Os torcedores deram sugestões. Mas prevaleceu Corinthians por causa de um clube inglês, o Corinthian, que havia visitado o Brasil na época.
O Gavião - No livro, você fala bastante do Neco...
Diaféria - O Neco foi um padrão corinthiano numa época em que o futebol era diferente. Uma vez ele recebeu uma proposta muito boa do Fluminense. O pai dele disse que, se ele fosse, iria tomar uma surra. E o Neco começou e acabou no Corinthians.
O Gavião - O livro fala muito do distintivo do Corinthians. Você concorda que é o mais bonito do Brasil?
Diaféria - É o mais bem trabalhado. É a tal história: no distintivo do Corinthians tem tudo. Tem âncora, o símbolo da esperança. Os remos, do tempo em que o clube tinha regata. Tem ainda a bandeira paulista. De todos os clubes, o único que tem a bandeira é o Corinthians. Tem a corda da embarcação também. Ele começou com duas letras cruzadas e foi evoluindo. É lindo. É uma obra de arte.
O Gavião - O livro conta também um pouco de Elisa, Tantã e Chico Mendes. Eles foram os torcedores símbolos da história do clube?
Diaféria - Hoje não são mais. Porque estamos voltando no tempo. A Elisa era empregada doméstica. E tinha um trato: em dia de jogo do Corinthians, ela não trabalhava. O Chico Mendes, que também faleceu, inventou o charuto corinthiano. O charuto virou um símbolo. O Tantã não tinha uma perna. Ele ia ao estádio de muleta. E tem uma história que parece folclore: ele iria casar, mas o Corinthians marcou um jogo na mesma data, e ele mudou a data do casamento. Hoje temos também a Tia Geni, que era lugar-tenente da Elisa, segundo posto.
O Gavião - O Corinthians é um fenômeno social?
Diaféria - É lógico que sim. Hoje (data da entrevista) é dia 1º de outubro. Os jornais dizem que um ex-presidente do Flamengo foi preso. Se isso acontece no Corinthians, a casa teria caído.
enviada por Leco Polegar
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